Marco Regulatório do
Mercado de Carbono

O Brasil tem um dos marcos regulatórios mais completos do mundo para o mercado de carbono. Entenda a legislação nacional, os acordos internacionais e o que muda para sua empresa.

Linha do Tempo

A evolução da regulação climática.

1997
Protocolo de Kyoto
Primeiro tratado internacional com metas vinculantes de redução de GEE para países desenvolvidos. Criou os mecanismos de flexibilização: MDL, Implementação Conjunta e Comércio de Emissões.
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)
2015
Acordo de Paris — COP21
Tratado histórico adotado por 196 países, com objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Cada país apresenta suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Artigo 6 — Mercados Internacionais de Carbono
2021
COP26 Glasgow — Artigo 6 regulamentado
Aprovação das regras para o Artigo 6 do Acordo de Paris, estabelecendo as bases para os mercados internacionais de carbono. Resolução de debates que duravam 6 anos sobre dupla contagem e transparência.
Regras do Artigo 6.2 e 6.4 aprovadas
Dez 2024
Lei nº 15.042 — SBCE criado no Brasil
O Brasil promulga a lei que institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE). Marco histórico para o mercado nacional de carbono, com obrigações progressivas por setor e volume de emissão.
Lei 15.042/2024 • SBCE em vigor
Nov 2025
COP30 — Pacto de Belém
Primeira COP realizada na Amazônia, em Belém do Pará. Aprovação de 29 decisões (Pacto de Belém), criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre e compromisso de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático até 2035.
Pacto de Belém • Fundo Florestas Tropicais
SBCE

Lei nº 15.042/2024:
o que sua empresa precisa saber.

Lei Federal nº 15.042 / Dezembro 2024

O que é o SBCE

O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) é o mercado regulado de carbono do Brasil, criado pela Lei nº 15.042/2024. É um sistema cap-and-trade em que o governo define um teto de emissões e distribui ou leiloa cotas entre as empresas obrigadas.

O SBCE transfere o custo social das emissões para os agentes emissores e contribui para o cumprimento das metas brasileiras no Acordo de Paris, posicionando o Brasil como protagonista no mercado internacional de carbono.

Quem é obrigado

  • Empresas que emitem acima de 25.000 tCO₂e/ano são obrigadas a reduzir emissões e adquirir créditos para compensar o excesso
  • Empresas que emitem entre 10.000 e 25.000 tCO₂e/ano devem fazer apenas o registro de emissões
  • O setor agropecuário não foi incluído na obrigatoriedade — mas pode participar voluntariamente gerando créditos
  • Créditos podem ser gerados por projetos de preservação florestal, energia renovável, gestão de resíduos e agricultura de baixo carbono
  • A lei prevê penalidades progressivas para empresas que não cumprirem as obrigações de registro e compensação

NDC do Brasil — Metas climáticas

  • Reduzir emissões de GEE em 50% até 2030 em relação a 2005
  • Alcançar neutralidade climática até 2050
  • Eliminação do desmatamento ilegal da Amazônia até 2030
  • Restauração de 12 milhões de hectares de florestas nativas até 2030
  • Expansão de energias renováveis para 45% da matriz energética

Oportunidades geradas pelo SBCE

  • Proprietários rurais com vegetação nativa podem gerar e vender créditos para empresas obrigadas
  • Projetos PAA e REDD+ ganham demanda estrutural garantida pelo mercado regulado
  • Empresas podem antecipar aquisição de créditos para hedge de preço antes do aumento da demanda
  • Startups e consultorias de MRV, verificação e rastreabilidade entram em mercado de altíssimo crescimento
  • Acesso a financiamentos verdes internacionais condicionados ao cumprimento climático
Internacional

Acordo de Paris
e as NDCs brasileiras.

O Acordo de Paris, adotado em 2015 e ratificado por 196 países, estabelece o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. Cada país apresenta suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que devem ser revisadas e fortalecidas a cada cinco anos.

O Artigo 6 do Acordo de Paris regulamenta os mercados internacionais de carbono, permitindo que países e empresas negociem créditos de carbono entre si. Esse mecanismo é o pilar que sustenta o mercado voluntário global e, indiretamente, o mercado regulado brasileiro.

Com a COP30 em Belém, o Brasil saiu fortalecido no cenário climático internacional, consolidando sua posição como líder em conservação florestal e como destino principal de financiamento climático global até 2035.

196
países signatários
1,5°C
meta máxima de aquecimento

NDC Brasil — metas 2030/2050

-50%emissões até 2030 (base 2005)
2050neutralidade climática
12M harestauração florestal até 2030
45%renováveis na matriz energética
Padrões

Frameworks internacionais
que a ENSUC opera.

VCS / Verra
Verified Carbon Standard
O padrão mais usado globalmente. Aceita projetos REDD+, energia renovável, gestão de resíduos e agricultura. Alta liquidez e reconhecimento internacional.
Floresta • Energia • Resíduos
Gold Standard
Gold Standard for the Global Goals
Padrão premium focado em co-benefícios sociais e alinhamento com os ODS. Créditos com maior valorização no mercado. Reconhecido por empresas líderes em ESG.
Social • ODS • Premium
ACR
American Carbon Registry
Registro americano com rigorosa metodologia de verificação. Muito utilizado para projetos de energia, gás de aterro, agropecuária e floresta.
Energia • Agropecuária • Solo
REDD+
Red. Emissões Desmatamento e Degradação
Mecanismo da ONU para remunerar países e proprietários pela redução do desmatamento. Base de grande parte dos projetos florestais brasileiros no mercado voluntário.
Floresta • Amazônia • Cerrado
GHG Protocol
Greenhouse Gas Protocol
Principal metodologia para inventários corporativos de emissões. Define os Escopos 1, 2 e 3. Base obrigatória para qualquer estratégia séria de descarbonização.
Inventário • Escopos 1,2,3
ISO 14064
Quantificação e Relatório de GEE
Norma internacional para quantificação, monitoramento e relatório de emissões e remoções. Complementa o GHG Protocol com requisitos de auditoria.
Auditoria • Certificação
TCFD
Task Force on Climate-related Financial Disclosures
Framework de divulgação de riscos climáticos para investidores. Crescentemente exigido por bolsas e fundos de investimento globais.
Risco Climático • Finanças
Plan Vivo
Plan Vivo Standard
Padrão focado em comunidades rurais e populações tradicionais. Ideal para projetos no Pantanal, Caatinga e comunidades indígenas. Alto valor social.
Comunidades • Social
Compliance

Status regulatório
por obrigação.

📊

Inventário GHG

Mensuração anual das emissões corporativas nos Escopos 1, 2 e 3. Requisito crescente para financiamentos, licitações e parceiros.

Exigível por contratos e fundos ESG
🏭

Registro SBCE

Empresas com emissões acima de 10.000 tCO₂e/ano devem efetuar registro obrigatório no Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões.

Obrigatório — regulamentação em curso
⚡

Redução ativa

Empresas com emissões acima de 25.000 tCO₂e/ano devem apresentar plano de redução e adquirir créditos para compensar o excesso.

Obrigatório — prazos sendo definidos
📋

Relatório ESG

Divulgação estruturada nos padrões GRI, TCFD, CDP e SASB. Exigida por investidores internacionais, B3 e fundos de impacto.

Exigível por mercado de capitais
🌳

Compensação Ambiental

Obrigação legal para empreendimentos licenciados com impacto ambiental significativo. Vinculada ao licenciamento ambiental federal e estadual.

Obrigatório — Lei SNUC / SISNAMA
🌱

CAR e APP

Cadastro Ambiental Rural e manutenção das Áreas de Preservação Permanente são obrigações do Código Florestal Brasileiro para todos os imóveis rurais.

Obrigatório — Código Florestal

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